A indústria têxtil brasileira passou por décadas difíceis. A abertura comercial dos anos 1990 e, posteriormente, a concorrência das importações asiáticas devastaram um setor que já foi um dos pilares da industrialização brasileira. Mas algo está mudando. Um grupo de empresas está apostando em tecnologia, sustentabilidade e posicionamento premium para recuperar espaço perdido.
Os números ainda não são suficientes para falar em reversão de tendência, mas os sinais são encorajadores. Em 2025, o setor têxtil e de confecções registrou crescimento de 8% na receita, impulsionado principalmente por empresas que investiram em diferenciação.
A aposta na sustentabilidade
O consumidor brasileiro — especialmente o de maior renda — está cada vez mais atento à origem e ao impacto ambiental dos produtos que compra. Empresas têxteis que conseguiram comunicar de forma crível suas práticas sustentáveis estão capturando um segmento de mercado disposto a pagar mais por isso.
A Vicunha Têxtil, uma das maiores do país, investiu R$ 200 milhões em tecnologias de tingimento que reduzem o consumo de água em 60% e eliminam o uso de corantes tóxicos. O investimento foi comunicado como diferencial competitivo e ajudou a empresa a fechar contratos com marcas internacionais que exigem certificações ambientais de seus fornecedores.
Tecnologia como diferencial
Além da sustentabilidade, a automação e a digitalização estão transformando a produtividade do setor. Fábricas que investiram em equipamentos modernos conseguem produzir com qualidade comparável à asiática a custos cada vez mais competitivos, especialmente quando se considera o frete e o tempo de entrega.
A proximidade geográfica com o mercado consumidor — que permite entregas em dias em vez de semanas — está se tornando um diferencial relevante num mundo em que a velocidade das coleções de moda aumentou dramaticamente.