O Nubank é a maior fintech da América Latina e uma das maiores do mundo por capitalização de mercado. Mas apesar do sucesso, a empresa ainda deriva a maior parte de sua receita do Brasil, com operações internacionais — México e Colômbia — ainda em fase de crescimento. A pergunta que o setor se faz é: por que o Brasil, com todo o seu ecossistema de inovação financeira, ainda não produziu um banco digital verdadeiramente global?
A resposta envolve uma combinação de fatores regulatórios, culturais e estratégicos que vale a pena examinar.
O paradoxo da inovação doméstica
O Brasil tem um dos sistemas bancários mais tecnologicamente avançados do mundo. O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, processou mais de 4 bilhões de transações mensais em 2025 — um número que supera o de países muito mais ricos. O open banking brasileiro é referência internacional. As fintechs brasileiras desenvolveram soluções que países desenvolvidos ainda não têm.
Mas essa sofisticação foi desenvolvida para resolver problemas específicos do mercado brasileiro — alta concentração bancária, taxas abusivas, exclusão financeira de grande parte da população. As soluções são brilhantes, mas calibradas para um contexto muito particular.
O desafio da internacionalização
Expandir para outros mercados exige mais do que transplantar uma tecnologia. Exige entender profundamente o comportamento financeiro local, navegar regulações completamente diferentes e construir confiança de marca em mercados onde você é desconhecido.
O Nubank aprendeu isso no México, onde a expansão foi mais lenta do que o esperado. O mercado mexicano tem dinâmicas próprias — maior uso de dinheiro em espécie, desconfiança histórica de instituições financeiras, infraestrutura de telecomunicações menos desenvolvida — que exigiram adaptações significativas no produto.